Uma contribuição à luta dos comunistas na Catalunha

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Cem Flores

O site Bandeira Vermelha publicou em 06/11/2017 três artigos debatendo a luta pela independência da Catalunha: Fetiches e superstiçons no process catalám – Reflexons para o debate, de Carlos Morais, Sem socialismo não há independência para o povo!, de Ana Barradas e A fraude da Catalunha, de António Barata. Os três artigos dão excelentes contribuições para a compreensão sobre a luta na Catalunha, buscando analisar os fatos de uma perspectiva proletária, marxista.

Estimulados por esse debate queremos dar uma pequena contribuição à essa discussão. E pensamos fazê-lo a partir de duas perguntas:
1- É justa, do ponto de vista do proletariado, a participação dos comunistas na luta pela independência da Catalunha?
2- Sendo justa, como deve ser essa participação?

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Fetiches e superstiçons no process catalám – Reflexons para o debate

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Carlos Morais

Há uns dias um prezado camarada latinoamericano conversava comigo por whastApp sobre a situaçom do processo independentista catalám. Este dirigente dumha organizaçom revolucionária do país de Salvador Allende é Miguel Enríquez, dizia textualmente “Ouça, ao parecer o Estado espanhol tomou o controlo total da Catalunha?”. Eu respondim com um lacónico “Sim”. De imediato voltou a perguntar, “E existem independentistas que saiam a pelejar?”. Perante o meu telegráfico “Nom”, afirmou “Que lamentável”. O meu novo “Sim” foi respondido com um “Bom, mas nom se enfade comigo, eu sou chileno, nom catalám”. Continuar a ler

Independência nacional será resultado da luita popular sob direçom operária

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Agora Galiza

Perante o julgamento ao que estám sendo submetidos três altos responsáveis do anterior governo da Generalitat da Catalunha por terem organizado 9 de novembro de 2015 umha consulta soberanista, e os apelos à defesa da legalidade espanhola que utilizam na sua defesa no Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, Agora Galiza considera oportuno transmitir a posiçom do socialismo independentista galego sobre os acontecimentos em curso e as perspetivas que se divisam a curto/meio prazo.

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A Autoeuropa e a crise do sindicalismo

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António Barata

No mês de Agosto, estava o país de férias, fomos surpreendidos por algo inusitado – os trabalhadores de uma importante unidade industrial, a Autoeuropa/Volkswagen, rejeitaram pela terceira vez o acordo estabelecido entre a administração e a Comissão de Trabalhadores. Aparentemente terminava a concórdia social, de mais de 25 anos. Derrotada e desautorizada, à Comissão de Trabalhadores não restou outro caminho que não o da demissão, e à administração esperar pela eleição de nova CT. Continuar a ler

O “bombardeio” ao trabalho continua no Brasil

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Ocupação em São Bernardo do Campo, São Paulo. Iniciada em 1º de setembro de 2017, a ocupação reúne hoje cerca de 7 mil famílias.

Cem Flores

Eu preciso também de um lugar para morar, né? Que não seja para mim, porque eu não sei o dia de amanhã, mas que seja para os meus filhos que estão aí crescendo, dois adolescentes, para deixar alguma coisa, para eles não ter que passarem a mesma história que eu passei. […] Às vezes, eu falo assim e a história passa na cabeça. Porque eu lembro dos meus filhos, lembro da minha mãe também passando muita humilhação, onde ela vinha dividir um ovo para a gente comer e enganar o estômago… Aí eu olhei e falei “não, não tem condições de ficar assim”, quando eu perdi o serviço ficou mais difícil ainda. Eu tentei entrar em programa social aqui em São Bernardo do Campo, mas eu não consegui.

Joana Darc Nunes, desempregada, membro da ocupação de São Bernardo do Campo de 2017[1] Continuar a ler

Todos falam do Che

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Ana Barradas

Che Guevara foi um expoente do revolucionarismo nacionalista latino-americano. Na sua época, e diante do marasmo do reformismo, das capitulações e das traições em que os partidos comunistas europeus tinham afundado o movimento operário, o seu exemplo de combatividade teve um efeito electrizante. Ele era de uma estirpe diferente dos Thorez, Togliatti, Cunhal e Brejnev.  Continuar a ler

Vem aí o fascismo? por Francisco Martins Rodrigues

Fascistas americanos

Cem Flores

Os que assim pensam, entendem o fascismo como um novo movimento, uma terceira força justaposta ao capitalismo e ao socialismo (e que os domina). Para quem partilha esta opinião, não só o movimento socialista, mas também o capitalismo teriam podido, se não fosse o fascismo, continuar a existir, etc. Naturalmente que se trata de uma afirmação fascista, de uma capitulação perante o fascismo. O fascismo é uma fase histórica na qual o capitalismo entrou; por consequência, algo de novo e ao mesmo tempo de velho. Nos países fascistas, a existência do capitalismo assume a forma do fascismo, e não é possível combater o fascismo senão enquanto capitalismo, senão enquanto forma mais nua, mais cínica, mais opressora e mais mentirosa do capitalismo.

Brecht, Cinco dificuldades para escrever a verdade Continuar a ler