A crise infinita

ferroviários

António Barata

Nos dias que correm é unanimemente considerado, da esquerda à direita, que a crise que vivemos é culpa do neoliberalismo, da intervenção da troica e do FMI. Se a estes factores o BE, e principalmente o PCP, acrescentam a falta de patriotismo das camadas dominantes da burguesia portuguesa, sempre pronta a aceitar as imposições do Eurogrupo, do Banco Central Europeu, da Alemanha, da França e do FMI, já o PS, PSD e o CDS, preferem responsabilizar o “despesismo” de Guterres e dos governos que se lhe seguiram, em particular os de Sócrates, que teriam levado o país à bancarrota. Continuar a ler

Anúncios

Lenin e os problemas do direito

Evguiéni Pachukanis(*),
via marxists.org, traduzido por Gabriel Landi Fazzio e Thais Hoshika

Evgueni Pasukanis 1

Nota introdutória da tradução
No seguinte ensaio, publicado em 1925 (no ano seguinte à publicação de Teoria Geral do Direito e Marxismo), Pachukanis relaciona sua crítica da forma jurídica à volumosa, ainda que fragmentária, produção teórica de Lenin sobre o direito. Opondo Lenin a uma parcela do pensamento jurídico soviético, destaca a relação dialética entre as formas de propriedade, formas jurídicas e formas estatais. Continuar a ler

Os Limites da Dominação Capitalista no Brasil

Cem Flores

greve_caminhoneiros_30801d730e

Em uma famosa intervenção, Mao Tsé-Tung afirma que o imperialismo e todos os reacionários têm um duplo caráter: são ao mesmo tempo tigres autênticos e tigres de papel. Quando considerados do ponto de vista estratégico, devem ser vistos como tigres de papel. Do ponto de vista tático, no entanto, enquanto classes dominantes, utilizando integralmente seus aparelhos ideológicos e repressivos, devem ser considerados tigres autênticos, de ferro. Ou seja, mesmo mais poderosa que a classe operária e o povo no presente, a dominação burguesa poderá ser derrubada como já o foi na Rússia e na China e em muitas outras partes do mundo – e, em todos esses lugares, terá que ser derrubada novamente. Continuar a ler

O turismo é uma experiência colonial?

João Vilela

postal

A pretexto da dita “especialização inteligente”, que mais não é que a divisão do trabalho dentro da UE de modo que o centro fique com as actividades rentáveis e a periferia com o rebotalho que ninguém quer, vem-se criando uma situação ao nível infra-estrutural que leva a uma progressiva degradação da soberania política de quem fica dependente, e uma crescente ingerência de quem se torna dominante. Este facto tem uma repercussão superestrutural importante em Portugal à medida que a actividade económica que vai assumindo preponderância, pelo menos nos grandes centros urbanos e balneares, é o turismo: a de criar uma verdadeira cultura colonial, quer na postura de quem visita, quer na de quem recebe, amplamente explorada e animada pelos aparelhos ideológicos da burguesia. Continuar a ler

A Greve dos caminhoneiros e a luta de classes no Brasil

Cem Flores

grve camionistas

Os caminhoneiros entraram em greve no dia 21 de maio, exatamente uma semana atrás. Na semana passada, sob vários aspectos, o Brasil parou. Mais de 1.000 pontos de bloqueio em estradas em todo o país, dezenas de milhares de caminhões parados. Falta de combustível disseminada (com donos de postos aproveitando para lucrar e dobrando o preço da gasolina que restava). Relatos de escassez de hortifrutigranjeiros em Ceasas, principalmente no Sudeste. Suspensão de aulas em escolas públicas. Paralização na produção de automóveis anunciada pela associação patronal[1]. Continuar a ler

Poulantzas, PCF: O reformismo em todos os seus estados, de Bernard Fabrègues

Estado Poder socialismo

A versão em português do artigo de Bernard Fabrègues (pseudônimo de Bernard Chavance) que ora apresentamos se caracteriza como um texto intervenção política e de crítica à concepção relacional de Estado e à ideia de via democrática ao socialismo que Poulantzas desenvolve na última fase de sua vida. Embora se valha de uma linguagem marcadamente desrespeitosa e carregada de gírias, metáforas e ironias para demarcar posição em relação aos seus adversários teóricos e políticos no interior do próprio movimento comunista, a análise de Fabrègues tem sua importância histórica por remeter à memória do confronto aberto travado entre as perspectivas marxista-leninista e eurocomunista do Estado e do socialismo no final dos anos 1970. Continuar a ler