Há vida para lá do euro!

Tsipras-traidorAna Barradas

Não é possível combater a Europa neoliberal e as máfias dominantes das democracias burguesas, nem as suas marionetas de turno, se os sectores mais radicalizados não se organizarem para apresentar aos trabalhadores um programa que eles possam abraçar.

Este programa passa em primeiro lugar por um objectivo concreto: criar condições para organizar a saída da zona euro e da própria União Europeia. Este não é um destino fatal a que tenhamos de nos submeter, uma pena que tenhamos de cumprir. Há vida para lá do euro e pode-se encontrar um caminho para convencer largos sectores em cada país da viabilidade desta proposta.

O desapontamento com que tantos de nós olhamos para o futuro previsível, o nosso e o dos homens e mulheres comuns com quem nos cruzamos todos os dias, não encontra solução em nenhuma das alternativas que nos propõem os partidos políticos do sistema.
Nunca como dantes o discurso político esteve tão desgastado. É por isso que é fácil a entusiasmada adesão a esses partidos ditos de tipo novo, formados a partir de movimentos de protesto e de rua, que se propõem reformar a vida dos cidadãos, não obstante sabermos todos que isso não é possível no quadro político agora estabelecido.

O equívoco está exemplarmente à vista com o Syriza. Nascido de uma grande esperança de que por fim os seus dirigentes iriam mudar a face da Grécia, a verdade é que já demonstraram a sua conformidade com os desígnios da União Europeia e nada farão para se opor a ela de uma forma decisiva. São pequenas escaramuças aquelas a que assistimos e tudo se saldará com mais umas medidas duras, mais um resgate se necessário. Pensavam que lidavam com um tigre de papel e afinal saiu-lhes pela frente um urso cruel e irascível. Nesta ilusão pequeno-burguesa envolveram levianamente milhões de gregos que esperam soluções aceitáveis para as suas vidas desesperadas.

O mesmo é expectável de todas essas novas formações europeias que anunciam grandes mudanças mas se colocam no espectro parlamentar ou aspiram a isso, com um discurso de aparência inconformista. Bem analisadas as suas linhas programáticas, estão bem dentro dos limites das democracias que conhecemos, tão decadentes e lamentáveis que se torna fácil aos novos dirigentes surgir como seus oponentes.

Esta é uma tendência que se vem propagando e parece inelutável na área da chamada esquerda. Porquê? Porque as organizações mais radicalizadas demonstram uma inoperância que, pelo seu programa e pelo tipo de militantes e simpatizantes que atraem, não têm condições para surgir como uma alternativa válida, com condições para alargar as suas fileiras e intervir junto das largas massas dos trabalhadores mais explorados.

O defeito não é dos dirigentes revolucionários ou dos que os seguem. O problema é que nenhuma das suas propostas tem um carácter de ruptura táctica passível de se transformar em programa imediato. Afastados da corrida eleitoral por opção ideológica ou por incapacidade intrínseca, sem trabalho acumulado na base e na acção, estão remetidos para um gueto em que as causas, quase sempre internacionalizadas, são isso mesmo: causas que por si mesmas pouco afectam a correlação de forças internas em que se movimentam.

Essas formações em busca de um novo rumo só têm que se sentar à mesa das discussões e ouvir as razões daqueles que, estando do seu lado, não se revêm na sua imobilidade.

 

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