Falsas dicotomias nos movimentos contra as opressões

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Diana Costa

Há uma narrativa prevalecente na história dos movimentos sociais e políticos que diz que, a partir dos anos 60, com o aparecimento daquilo a que se chamou os Novos Movimentos Sociais, as reivindicações classistas construídas em torno do movimento operário foram substituídas por movimentos fragmentados com reivindicações parciais e identitárias (feministas, estudantis, etc). Mais tarde, os herdeiros das teorias dos Novos Movimentos Sociais acrescentam ainda que, a partir de meados dos anos 90, uma nova geração de Novíssimos Movimentos Sociais veio a propor novas sínteses entre as reivindicações económicas e laborais e as identitárias, rompendo com a dicotomia vigente. Continuar a ler

Um feminismo anti-operário

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Ana Barradas

Há mais de cem anos, as mulheres das fábricas de Setúbal, com sa­­lários que oscilavam entre os 350 e os 400 reis, exigiam au­­mentos de 50 reis por hora. O advento das máquinas de sol­dar e a crise da indústria conserveira ameaçavam pôr no desemprego milhares de operários. Declarada a greve a 21 de Fevereiro de 1911 – tinha a República cinco meses –, de­pressa se revelou a intransigência dos patrões. Continuar a ler

As classes na revolução russa

Apparatchics

Otto Ohiweiler

As dificuldades que a revolução proletária na Rússia teve de enfrentar, depois da tomada do poder, foram em grande parte determinadas pelos problemas inerentes à tentativa de edificação do socialismo num país económica e culturalmente atrasado, de maioria camponesa, isolado e sob o cerco imperialista, bem como pela desorganização e o descalabro da produção ocasionados, primeiro, pela guerra imperialista e, depois, pela guerra civil e as intervenções estrangeiras. Continuar a ler

Lenine sobre o bloqueio da revolução russa

NEP

António Barata

Compreender o regime gerado pelo bloqueio da revolução russa não é um mero exercício académico ou diletante, próprio de quem não quer saber do presente e prefere continuar de olhos postos no passado, crítica esta frequentemente dirigida aos que querem entender as causas do descrédito e do estado comatoso em que se encontra a esquerda marxista, e não se contentam com as pseudo explicações que vêm sendo avançadas há décadas pela generalidade das correntes comunistas, que insistem em tudo resumir a erros, traições e a golpes palacianos e conspirações patrocinadas pelo imperialismo, o grande capital e o fascismo – refiro-me à esquerda que ainda fala destas coisa, dado que a maioria decidiu há muito ignorar o assunto. Continuar a ler

A ilusão da jurisprudência

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Por Marcio Bilharinho Naves

Quando a luta popular é dominada pelas representações oriundas do campo da ideologia jurídica, ela apenas reproduz as formas de sua própria subordinação ao processo do capital. O “esquecimento” da tese de Marx e Engels sobre a incompatibilidade absoluta entre o comunismo e o direito conduz a esquerda aos velhos caminhos do “socialismo jurídico”. Continuar a ler

A Crise do Governo Temer, ou Governando com o Esgoto a Céu Aberto III

Fora Temer

Cem Flores

Alguns leitores deste blog Cem Flores poderão se perguntar o porquê do “III” no título deste artigo. É que a imundície da corrupção, inerente ao capitalismo e aos seus governos burgueses, já nos levou a escrever duas outras vezes com esse mesmo título, tratando dos governos Lula (“I”) e Dilma (“II”). Vejam nos links abaixo: Continuar a ler

Ainda o 8 de Março

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Ana Barradas

Só haverá solidariedade entre as mulheres trabalhadoras se for em volta de uma plataforma revolucionária que está por criar. Mesmo assim, muitas mulheres continuam a ver o Dia Internacional da Mulher como um marco de eleição para reafirmar os seus direitos e pressionar as instituições no sentido do seu reconhecimento. Nas sociedades do nosso tempo, poucos resultados se detectam, porque a desi­gualdade continua a ser um dado essencial. Continuar a ler

Recusar a chantagem

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António Barata

Perante a falência do modelo de “desenvolvimento” abraçado pelas classes ricas e o patronato português com a adesão à União Europeia e ao Euro (traduzido no enriquecimento brutal de uns tantos, no empobrecimento da generalidade dos que trabalham e no endividamento galopante do país), os trabalhadores e o povo português foram colocados perante o falso dilema de aceitar o pacote de medidas draconianas do FMI, BCE e Comissão Europeia “negociado” pelo PS, PSD e CDS ou voltar a negociar esse mesmo pacote, dilatando-lhe os prazos e, se possível, reduzir-lhe os custos, proposta defendida pelos sectores social-democratas do PS e PSD e pela esquerda ordeira (BE e PCP). Alternativa moderada, mas ferozmente atacada pelos partidos da direita e do centro para quem tal era passarem para o lado dos “esquerdistas” e dos “populistas” irresponsáveis, defensores do não pagamento da dívida e a quebra dos compromissos internacionais. Continuar a ler